Boa parte das pessoas desconhece que a neoplasia ou
câncer é uma doença com grandes
possibilidades de cura, principalmente se precocemente
diagnosticada e tratada. Além das práticas
usuais de tratamento - cirurgia, no caso de tumores,
ou quimioterapia e radioterapia - uma etapa muito importante
no processo de cura acontece no acompanhamento durante
e após o tratamento clínico. É
nesse período que o paciente precisa aprender
a conviver com a doença e suplantar as conseqüências
físicas e psicológicas decorrentes do
tratamento.
Inúmeros
terapeutas afirmam que, após cada sessão
de tratamento, há a necessidade de criar-se condições
favoráveis ao equilíbrio psíquico
e emocional de cada paciente. É nessa hora que
o calor humano e a solidariedade são fundamentais.
E é nisso que a Associação Paranaense
de Apoio à Criança com Neoplasia se especializou.
Câncer não é
brincadeira mas também é coisa de criança!
Cerca de 30 crianças de todo
o Brasil passam pela Casa de Apoio da APACN diariamente.
Mas muitos destes casos poderiam ser evitados e tratamentos
amenizados caso o diagnóstico do câncer
fosse feito precocemente.
A pediatra oncologista, Dra. Mara Pianovski, alerta
que quanto mais tempo se perde para iniciar o tratamento,
mais o organismo é agredido e fragilizado pela
doença e se torna mais vulnerável às
complicações habituais. “Além
disso, neoplasias com muito tempo de evolução
apresentam complicações que podem se tornar
irreversíveis. Quando o diagnóstico é
feito em tempo, mais de 70% das crianças com
câncer são curadas”, comenta a médica,
que coordena o Ambulatório que a APACN mantém
em convênio com o Hospital de Clínicas
do Paraná.
Existem diferenças importantes entre o câncer
da criança e o do adulto. Em muitas situações,
o câncer do adulto pode ser prevenido. Por exemplo,
evitando-se a exposição ao sol no horário
de risco, evita-se o câncer de pele. Não
fumando, pode-se afastar o risco de desenvolver câncer
de pulmão, de bexiga e outros. Já para
a criança, não existe uma forma de evitar
o câncer, mas apenas de se fazer o diagnóstico
precoce.
Dra. Mara explica que o tratamento quimioterápico
das crianças é mais intensivo que o utilizado
para os adultos; assim, pode apresentar irregularidades
com mais facilidade, como infecções e
sangramentos. Por outro lado, elas se recuperam mais
facilmente, desde que o tratamento inicie em tempo hábil.
O tratamento dura em média de 6 meses a 2 anos,
dependendo do diagnóstico (qual tipo de câncer)
e do estadiamento (ou seja, doença inicial ou
avançada).
Alguns números:
- A taxa de incidência do câncer infantil
tem crescimento em torno de 1% ao ano nas diversas regiões
do mundo e a incidência anual é de 12 em
cada 100.000 crianças.
-No Brasil, o câncer já é a terceira
causa de morte por doença entre 1 e 14 anos de
idade.
- O câncer infantil compreende de 0,5% a 3% de
todas as neoplasias na população.
fonte: INCA (Instituto Nacional do Câncer)
Neoplasia
infantil
As neoplasias mais freqüentes nas crianças
são as leucemias (glóbulos brancos), os
tumores de sistema nervoso central e os linfomas (sistema
linfático). A idade que elas aparecem com maior
freqüência está em torno de 2 a 4
anos. O câncer na criança se apresenta,
em geral, com sinais e sintomas comuns a outras doenças
da infância. Dra. Mara dá alguns exemplos:
- palidez que ocorre nas leucemias é muito comum
nas anemias por deficiência nutricional; aumento
de volume das ínguas, que também ocorre
como resposta normal do organismo a infecções;
dores ósseas de intensidade crescente, diferenciando-se
de dores freqüentes associadas com o crescimento,
que desaparecem rapidamente; dor de ouvido, que não
melhora com os tratamentos habituais; dor no abdome,
tosse persistente, manchas roxas pelo corpo e sangramento
nasal.
Para saber se o sinal ou sintoma está associado
ao câncer, é fundamental que a criança
seja examinada pelo médico, que saberá
que exames solicitar. Os pais e médicos ainda
devem ficar alerta para outras alterações
na saúde:
- No retinoblastoma, um sinal importante de manifestação
é o chamado "reflexo do olho do gato",
embranquecimento da pupila quando exposta à luz.
- Tumores sólidos podem se manifestar pela formação
de massa, podendo ser visível e causar dor nos
membros, sintoma, por exemplo, freqüente no osteossarcoma
(tumor em osso em crescimento), mais comum em adolescentes.
- Tumor de sistema nervoso central tem como sintomas
dor de cabeça, vômitos, alterações
motoras, alterações cognitivas e paralisia
de nervos.
Cuidados
Especiais
O tratamento do câncer não é somente
quimioterapia, radioterapia ou cirurgia. Na Associação,
elas contam com uma equipe de voluntários e profissionais
de diversos setores para dar a elas e aos acompanhantes
todo o apoio necessário para amenizar o sofrimento
deste período. O apoio psicológico visa
auxiliar a criança neste momento de mudanças,
perdas e que também pode acarretar em dor e sofrimento.
A psicóloga Adriana Sampaio, que atende as famílas
na Casa de Apoio, explica que o psicólogo ajuda
a criança na adesão ao tratamento da doença
ou ampliação de seu repertório
comportamental, prestando suporte para a adaptação
à nova rotina de idas ao hospital. “E este
acompanhamento é especialmente necessário
quando há mudança de cidade para tratamento,
hospitalização por tempo prolongado, com
afastamento da família, amigos e escola”,
detalha Adriana.
Já o serviço social presta atendimento
às famílias que se hospedam na APACN.
A Assistente Social da Casa de Apoio, Rayde Bisinelli
explica que além dos contatos com prefeituras
e secretarias de saúde, o serviço social
organiza grupos de socialização e orientação
de pais ou acompanhantes, apoio aos voluntários
que atuam com as famílias. “Percebemos
que ao chegar em Curitiba o paciente e os familiares
enfrentam algumas dificuldades e passam por períodos
de angústia. Buscamos sempre viabilizar os recursos
que eles têm direito, acompanhar estas famílias
que buscam a cura dos filhos”, comenta Rayde.
Quanto
antes o câncer for descoberto, maiores são
as chances de cura!
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